Iniciou sua trajetória política como deputado estadual do Rio de Janeiro, cargo que exerceu de 2003 a 2019. Durante esse período, presidiu a Comissão Especial de Planejamento Familiar da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Em 2018, foi eleito senador pelo mesmo estado, com 4,38 milhões de votos. Ao longo de sete anos de mandato, apresentou 433 proposições, entre elas 95 propostas de emenda à Constituição (PECs) e 60 projetos de lei, individualmente ou em coautoria. Também defendeu a chamada PEC da Blindagem e se posicionou contra a aprovação da PEC do Fim da Escala 6x1.
Sua trajetória política está estreitamente ligada à de seu pai e é marcada por posições controversas sobre temas como a ditadura militar brasileira, o sistema judiciário e a pena de morte. Também esteve associado às investigações do Caso Queiroz, relacionadas a suspeitas de um esquema de desvio de parte dos salários de assessores parlamentares, conhecido como "rachadinha", bem como é investigado no âmbito do escândalo do Banco Master, em razão de suposta operação de 134 milhões de reais relacionada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao financiamento do filme Dark Horse, que retrataria a vida de Jair Bolsonaro, tendo-se iniciado uma investigação pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
Em 2026, tornou-se candidato do PL à Presidência da República com o apoio de seu pai. Sua campanha enfatizou a segurança pública. No primeiro turno das eleições presidenciais, obteve 56,1 milhões de votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos, finalizando em primeiro lugar. No segundo turno, no entanto, conquistou 59,8 milhões de votos (48,21% do eleitorado) e perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva, quando tornou-se o primeiro candidato a ganhar no primeiro turno e perder no segundo desde a redemocratização de 1988. Após perder a eleição, não aceitou o resultado das urnas, fugiu para os Estados Unidos e se autoproclamou presidente eleito e, posteriormente, "líder do Brasil", em carta de teor golpista, embora seu partido, aliados e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheçam a vitória de Lula.
Formação
Concluiu curso técnico em eletrônica pela Escola Técnica Rezende Rammel, no Rio de Janeiro. Graduou-se em direito pela Universidade Candido Mendes e em empreendedorismo pela Fundação Getulio Vargas.
Seu perfil oficial informava ainda que ele possuía "especializações em Políticas Públicas pelo IUPERJ", assim como o perfil na listagem de deputados da Alerj, que lista "Pós-graduação em Ciências Políticas pela UFRJ" e seu perfil no LinkedIn, o que foi constatado pela universidade ser falso e atribuído por sua assessoria a "erros ou equívocos, possivelmente extraídos de páginas como a Wikipedia".
Carreira política
Assessor do Partido Progressista Brasileiro
Flávio Bolsonaro iniciou aos 19 anos sua vida pública e profissional sendo assistente técnico da liderança do Partido Progressista Brasileiro (PPB), atual Progressistas, em Brasília, cargo que atuou enquanto fazia faculdade presencial diária e estágio duas vezes por semana no Rio de Janeiro de dezembro de 2000 a junho de 2002, o que indica que potencialmente se tratava de um funcionário fantasma. Segundo a sua declaração de imposto de renda de 2001, o salário era de R$ 4 712, ou cerca de R$ 13 500 em valores corrigidos até 2019, segundo apuração da BBC News Brasil, cargo que teria sido conseguido através da indicação de seu pai.
O assunto foi abordado no oitavo episódio do documentário jornalístico Revelando, "Flavinho De Papai", apresentado pelo ator e cantor MC Cabelinho e disponibilizado em 22 de outubro de 2026. A Meta removeu o conteúdo do ar horas após a publicação, alegando regra do TSE sobre inteligência artificial em conteúdo eleitoral, mas sem apontar qual trecho violaria a norma; o conteúdo segue disponível no YouTube.
Deputado estadual
Foi eleito para seu primeiro mandato em 2002. Reelegeu-se deputado estadual em 2006, 2010 e, na sua última candidatura, em 2014, para o mandato 2015–2019. Em abril de 2015, votou a favor da nomeação de Domingos Brazão para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, nomeação que foi muito criticada na época.
Dentre as votações no legislativo estadual, destaca-se em 2009 o único voto contrário em projeto de lei da deputada Inês Pandeló (PT) que suspende o porte de arma a policiais que tenham praticado violência doméstica. A lei foi aprovada pela casa legislativa e sancionada pelo então governador Sérgio Cabral como a lei n.º 5 402/2009. O caso foi abordado no nono episódio do documentário jornalístico Revelando, com o título "Uma Dor Familiar".
No segundo mandato, foi presidente da Comissão Especial de Planejamento Familiar.
Votou contra a privatização da CEDAE em 2017.
Relação com Adriano da Nóbrega e defesa de milícias
Durante sua atuação como deputado, Flávio Bolsonaro reiteradamente mostrou-se próximo de Adriano da Nóbrega, policial que viria a ser revelado como membro da milícia conhecida como Escritório do Crime. Em 2003, o então deputado estadual fez uma moção de louvor ao na época tenente por sua atuação como policial. No ano seguinte, Adriano foi preso por assassinar um guardador de carros e no ano seguinte, 2005, com Adriano ainda preso, Flávio concedeu a ele a Medalha Tiradentes.
Em 2007, reeleito deputado no ano anterior, Flávio fez um discurso na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro defendendo milícias. No mesmo ano, em entrevista à imprensa, o deputado defendeu novamente a posição e considerou um projeto para legalização de milícias.
No mesmo ano, Flávio nomeia para seu gabinete a então esposa de Adriano, Danielle Mendonça da Nobrega, cargo que ocuparia por 11 anos. Indícios coletados posteriormente na Operação Gárgula apontam que e seria uma funcionária fantasma, recebendo sem trabalhar.
Em 2008, durante a instalação da CPI das Milícias na Alerj, em discurso Flávio volta a defender milicianos. Em 2011, com o assassinato da juíza Patrícia Acioli, que investigava milícias, o deputado relativizou o assassinato. Uma defesa similar ocorreu em 2015, quando defendeu milicianos detidos após agredirem uma juíza.
A relação com a família de Adriano da Nóbrega continuaria em 2016, quando Flávio Bolsonaro nomeou Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano, para seu gabinete. Tanto ela como a ex-mulher Danielle continuariam nos cargos até 2018, quando o deputado foi eleito senador, e no momento em que surgiam suspeitas das chamadas "rachadinhas".
Em 2019, como senador, foi contra a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre milícias.
Caso Queiroz e acusação de peculato
Em dezembro de 2018, veio à tona um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou uma movimentação atípica no valor de R$ 1 236 838 em uma conta no nome de Fabrício José Carlos de Queiroz, policial militar e ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, entre os dias 1.º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017. Fabrício Queiroz, que era motorista e segurança de Flávio, havia sido exonerado do gabinete do então deputado estadual no dia 15 de outubro de 2018. De acordo com o banco responsável pela conta, as movimentações financeiras de Queiroz seriam incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira do ex-assessor parlamentar.
O relatório, que foi anexado pelo Ministério Público Federal (MPF) à investigação que deu origem à Operação Furna da Onça, também cita transações bancárias no total de R$ 324 774 em papel-moeda e de R$ 41 930 em cheques compensados na conta de Queiroz. Uma das transações citadas no relatório do Coaf é referente a um cheque de R$ 24 mil destinado a Michelle Bolsonaro, atual esposa do presidente Jair Bolsonaro. Fabrício Queiroz recebia, de acordo com a folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) de setembro de 2018, um salário de R$ 8 517 devido ao exercício de cargo em comissão de Assessor Parlamentar III no gabinete de Flávio Bolsonaro, valor este somado aos rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ).
O documento também apontou que Fabrício Queiroz recebeu depósitos em espécie e por meio de transferências de oito funcionários que já foram ou estão lotados no gabinete de Flávio Bolsonaro no período entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. Entre estes funcionários, destacam-se: Nathalia Melo de Queiroz, filha de Fabrício Queiroz, que transferiu um total de R$ 86 429,35 (R$ 84 110,04 por meio de depósito e R$ 2 319,31 via transferência) para a conta do pai; e Marcia Oliveira de Aguiar, esposa de Queiroz, que fez repasses em dinheiro no valor de R$ 18 864 ao marido. Tais movimentações levantaram a suspeita da existência de uma prática conhecida como "rachid" ou "rachadinha", tanto no gabinete de Flávio quanto no de outros políticos, onde parlamentares ficam com parte dos salários de seus funcionários. Para sustentar a acusação, o MP também investigou a geolocalização de celulares dos funcionários do gabinete de Flávio através do rastreamento de ligações telefônicas, constatando que oito dos assessores raramente apareceram dentro de um raio de 750 metros de distância da Alerj entre 2007 e 2018.
O relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que possui 422 páginas, reúne informações a respeito de operações bancárias de 75 funcionários e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), incluindo Fabrício Queiroz, citadas em comunicados sobre transações financeiras suspeitas. As operações suspeitas, que envolvem pessoas que trabalham ou trabalharam em 20 gabinetes de deputados estaduais do Rio de Janeiro de diferentes matizes ideológicas, totalizam mais de R$ 207 milhões.
Em entrevista dada ao SBT Brasil no dia 26 de dezembro de 2018, Fabrício Queiroz declarou que conseguia dinheiro por meio da compra e da revenda de carros, que iria dar explicações ao Ministério Público Federal a respeito dos depósitos de funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro em sua conta bancária e que Flávio nada tem a ver com as movimentações bancárias apontadas pelo relatório. Já a chefia de gabinete de Flávio Bolsonaro afirmou que Queiroz trabalhou por mais de dez anos como segurança e motorista do deputado estadual, que o parlamentar não possui conhecimento de qualquer fato que desabone a conduta do ex-assessor parlamentar e que Fabrício Queiroz foi exonerado do gabinete em outubro de 2018 para que pudesse resolver questões relacionadas à passagem para a reserva remunerada como subtenente da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ). Em nota, o Ministério Público Federal confirmou que incluiu o relatório do Coaf nas investigações feitas pela instituição mas esclareceu que nem todos os nomes citados no documento foram incluídos nas apurações pois nem todas as movimentações atípicas seriam, necessariamente, ilícitas.
Em 17 de janeiro de 2019, Flávio Bolsonaro, utilizado de sua futura prerrogativa do Foro privilegiado, pediu ao STF que as investigações contra seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, fossem paralisadas, pedido que foi aceito pelo ministro Luís Fux, utilizado como argumentos que, supostamente, a atual investigação existiria "nulidades" e que ele, por ser um senador eleito, possuiria, logo, o direito do Foro privilegiado. No dia de 18 de janeiro, o Jornal Nacional da Rede Globo divulgou que eles receberam, com exclusividade do Coaf, partes de um relatório das investigações envolvendo o caso Queiroz, parte a qual constatou que entre os meses de junho e julho de 2017 houve uma grande movimentação de depósitos suspeitos na conta bancária de Flávio Bolsonaro. No total houve 48 depósitos nestes meses e a quantia das somas destes depósitos é de aproximadamente 96 mil reais. Chamou atenção do Coaf que todos estes depósitos são de R$ 2 000 reais cada, tendo alguns uma certa cronometragem para entrada destes depósitos e entre outras constatações as quais o Coaf considera atípicas. Em 27 de setembro de 2019 as investigações ficaram suspensas por conta da decisão do Ministro do STF Gilmar Mendes. A decisão foi revogada após o julgamento do STF, em novembro de 2019, que autorizou o compartilhamento de dados por parte da Receita Federal. O Senador, por sua vez, nega as acusações e também acredita que com o andamento das investigações a verdade será esclarecida.
Em 18 de junho de 2020, Fabrício Queiroz foi preso na casa do advogado Frederick Wassef, que presta serviços à família do presidente Jair Bolsonaro, em Atibaia. A ação foi executada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCESP) e pelo Ministério Público de São Paulo devido após os mandado de prisão e de busca e apreensão serem expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro a pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro. No dia 19 de outubro de 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro ajuizou a denúncia contra Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e outros 15. Em novembro de 2021, o Superior Tribunal de Justiça anulou as decisões do juiz de primeira instância que quebrou os sigilos bancário e fiscal de Flávio Bolsonaro e outros 102 alvos. No mesmo mês, o Supremo Tribunal Federal anulou quatro dos cinco Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Coaf, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que embasaram a investigação da "rachadinha". Em maio de 2022 a denúncia foi rejeitada e posteriormente arquivada pelo TJRJ tendo em vista a decisão do STF de anular as provas colhidas pelo MPRJ junto ao COAF.
Em julho de 2024 veio à público, no contexto da Operação Última Milha, uma gravação de 2020 de uma reunião de Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Augusto Heleno e advogadas de Flávio. O teor da conversa indica uma tentativa de emparedar as investigações, indicando possíveis motivos para rejeições anteriores de denúncias. Nesse mesmo dia, o próprio Jair Bolsonaro teria afirmado que Flávio seria o "maior culpado" na Operação Furna da Onça. A Polícia Federal disse ainda que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro espionou ilegalmente os auditores da Receita Federal que investigaram Flávio Bolsonaro, acusado do esquema de "rachadinha" no gabinete. Flávio Bolsonaro negou qualquer atuação irregular no caso das rachadinhas e disse que, na época, teve os dados sigilosos acessados de forma criminosa de dentro da Receita Federal.
Candidatura à Prefeitura do Rio de Janeiro (2016)
Nas eleições de 2016, Flávio Bolsonaro disputou a Prefeitura do Rio e ficou em 4.º lugar com 424 307 votos, que representaram 14% dos votos válidos, ficando fora do segundo turno disputado por Crivella (PRB) e Freixo (PSOL), porém à frente de candidatos como os deputados federais Indio da Costa (PSD), Jandira Feghali (PCdoB) e Alessandro Molon (REDE), além de outros quatro. Apesar da derrota, conseguiu eleger seu irmão, Carlos Bolsonaro, como o vereador mais votado do Rio de Janeiro.
No dia 25 de agosto, durante o segundo bloco do primeiro debate entre os candidatos à prefeitura, realizado na Band, Flávio Bolsonaro passou mal e teve que deixar o debate. Na ocasião, mesmo após um princípio de desmaio e tendo sido acometido por diarreia, recusou ajuda médica da então deputada Jandira Feghali.
Senador da República (2019–presente)
Nas eleições de 2018, Flávio Bolsonaro foi candidato a senador pelo estado do Rio de Janeiro pelo Partido Social Liberal (PSL). A candidatura do então deputado estadual foi anunciada na convenção nacional do PSL, realizada no dia 22 de julho de 2018 em um centro de convenções situado na cidade do Rio de Janeiro. No mesmo evento, foi oficializada a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. No pleito, Flávio obteve 4 380 418 votos (31,36% do total de votos válidos), sendo eleito para a 56.ª legislatura (2019–2023) do Senado Federal do Brasil. No dia 06 de fevereiro de 2019, foi eleito 3.º Secretário da Mesa Diretora do Senado Federal.
Em 11 de junho de 2019, o presidente Jair Bolsonaro o condecorou com a medalha da Ordem do Mérito Naval, durante cerimônia alusiva à Batalha Naval do Riachuelo, no Grupamento de Fuzileiros Navais de Brasília, localizado às margens do Lago Paranoá.
Suspeita de corrupção em compra de mansão
Em março de 2021, Flávio Bolsonaro adquiriu uma mansão avaliada em 6 milhões de reais, o que causou polêmica em virtude do valor ter sido considerado incompatível com os rendimentos do senador, ainda que parte tenha sido financiada, somado ao escândalo da rachadinha, gerando a suspeita de mais um caso de corrupção. Ele alega que vendeu outros imóveis, mas tais transações ainda não aparecem em cartórios.
Disseminação de informações falsas
Em maio de 2023, Nikolas Ferreira, Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro foram multados, pela divulgação de vídeo descontextualizado sobre Lula durante as eleições de 2022. Segundo a decisão do TSE, os acusados compartilharam informações falsas em suas redes sociais com o intuito de prejudicar a candidatura do ex-presidente Lula. O vídeo, produzido por Ferreira e partilhado pelos parlamentares, associou o slogan "Faz o L" com o incentivo ao uso de drogas por crianças e adolescentes, a associação desses comportamentos à criminalidade e a propostas de censura de redes sociais.
No dia 19 de maio de 2023, Flávio, Mara Gabrilli e Carla Zambelli foram condenados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a pagar R$ 10 mil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por espalhar a notícia falsa que o petista pagou para não ser relacionado ao assassinato de Celso Daniel.
Instigação de intervenção militar estrangeira
Em julho de 2025, o senador Flávio Bolsonaro comparou as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, durante a segunda presidência de Donald Trump, à uma guerra. Em entrevista à CNN Brasil, afirmou que o país enfrentava um cenário bélico e que, diante disso, seria necessário ceder para evitar consequências mais graves: "Cabe a nós a responsabilidade de evitar que duas bombas atômicas caiam aqui no Brasil para, só depois, anunciarmos uma anistia."
A fala gerou ampla repercussão e foi criticada por parlamentares da oposição. O senador Otto Alencar, por exemplo, classificou a declaração como "absurda e uma rendição inadmissível", acusando Flávio de utilizar linguagem alarmista e de se submeter aos interesses de uma potência estrangeira.
Candidatura à Presidência da República em 2026
Em 5 de dezembro de 2025, Flávio Bolsonaro anunciou publicamente sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026, afirmando ter recebido a indicação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante uma visita à prisão onde este se encontra detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Em comunicado divulgado em suas redes sociais, o senador declarou: "É com grande responsabilidade que confirmou a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação". A decisão foi comunicada previamente ao Partido Liberal (PL) e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que até então era o principal cotado a ser o candidato apoiado por Jair Bolsonaro nas eleições, sinalizando que Flávio disputará o Planalto enquanto Tarcísio deve se concentrar na reeleição. O anúncio gerou reações positivas entre aliados bolsonaristas, incluindo o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que manifestou apoio ao irmão, e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que endossou a escolha.
Após o anúncio da candidatura, o mercado financeiro reagiu negativamente, e o dólar disparou mais de 2%, enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo despencou em 4,11%, em contraste com o recorde máximo alcançado dias antes. Flávio, apesar de ter sido indicado diretamente pelo ex-presidente e seu pai Jair Bolsonaro, ainda carece de apoio coeso dentro do bloco da direita brasileira e entre moderados. Sua rejeição alta, falta de apoio de caciques partidários e uma aparente demonstração "radical" do bolsonarismo, assim como poucas ideias até então apresentadas, tem mostrado um grande empecilho para sua pré-candidatura eleitoral e possível campanha presidencial.
Ao longo do primeiro semestre de 2026, a pré-campanha intensificou as articulações para a escolha de um candidato a vice-presidente, com foco em nomes que possam reduzir a rejeição do senador em setores específicos. Entre os nomes cotados, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) é apontada como a preferencial para consolidar o apoio do agronegócio e do mercado financeiro. No entanto, em abril de 2026, outras opções ganharam força, como a deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE), vista como uma alternativa para atrair o eleitorado evangélico e nordestino, e a deputada Simone Marquetto (PP-SP), cujo nome passou a ser testado por alas do partido para dialogar com o eleitorado feminino e católico. Embora o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato a Presidência Romeu Zema (NOVO), tenha sido citado por aliados como o "vice ideal", o próprio governador declarou em abril de 2026 sua intenção de manter candidatura própria ao Planalto, distanciando-se da composição com o PL. Outro possível candidato a vice seria Ciro Nogueira, contudo Flávio considerou graves as acusações na Operação Compliance Zero, distanciando-se para evitar vínculos, com figuras ligadas ao escândalo do Banco Master.
Em abril de 2026, a Polícia Federal iniciou inquérito para investigar se Flávio cometeu crime de calúnia contra Lula. Em maio de 2026, a Associação Movimento Brasil Laico (MBLaico) protocolou denúncia contra o pastor Silas Malafaia, a igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) e cinco pré-candidatos, incluindo Flávio Bolsonaro, por propaganda eleitoral antecipada durante um culto. Essas denúncias podem visar a inelegibilidade do pré-candidato.
Crise entre Michelle e Flávio
No fim da tarde do dia 24 de junho de 2026, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um depoimento em suas redes sociais em que diz ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como candidato à Presidência nas eleições de outubro do mesmo ano. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro publicou em suas redes sociais um pedido de desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O comentário de Paulo Figueiredo, "mulher vota muito mal", repercutiu em cima das crises, gerando reviravoltas na ala feminina do PL, da qual parte defendeu o voto feminino.
Em 23 de julho de 2026, após quase um mês de afastamento público, Flávio Bolsonaro publicou um pedido de desculpas e um apelo pelo apoio de Michelle à sua candidatura. No mesmo dia, a ex-primeira-dama divulgou um vídeo em resposta, no qual aceitou o pedido de desculpas e indicou disposição de conversar e apoiar a candidatura do enteado. A reaproximação ocorreu dois dias antes da convenção nacional do Partido Liberal que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Convenção do PL e oficialização da candidatura
Em 25 de julho de 2026, o Partido Liberal (PL) oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República durante convenção nacional realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo. O evento contou com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, e de outras lideranças políticas. Flávio Bolsonaro não anunciou, na ocasião, o nome do candidato a vice-presidente da chapa.
Durante a convenção, foi exibido um vídeo produzido com inteligência artificial que simulava a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na gravação, o avatar do ex-presidente inicia o discurso afirmando tratar-se de uma simulação e, em seguida, manifesta apoio à candidatura do filho, afirmando tê-lo escolhido como sucessor. A exibição do material gerou repercussão política e jurídica. O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando possível descumprimento das restrições impostas a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e está proibido de realizar manifestações de conteúdo político-eleitoral. A defesa de Jair Bolsonaro informou ao ministro Alexandre de Moraes que o ex-presidente não autorizou o uso de sua imagem. A campanha de Flávio Bolsonaro defendeu a legalidade do vídeo, argumentando que o uso da tecnologia "foi explicitado" e que "não havia intenção de enganar o eleitorado".
Após a oficialização da candidatura em 25 de julho, a definição do candidato a vice-presidente permaneceu em aberto. Diversos nomes foram cotados para a vaga, entre eles a senadora Tereza Cristina (PP), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos), as deputadas Bia Kicis (PL), Renata Abreu (PODE), Júlia Zanatta (PL) e Simone Marquetto (PP), a vereadora Priscila Costa (PL), além dos senadores Rogério Marinho (PL) e Marcos Pontes (PL).
As tentativas de aliança com partidos do Centrão não prosperaram. Progressistas, Republicanos, União Brasil e Podemos optaram pela neutralidade na disputa presidencial, o que impediu a indicação de nomes externos ao Partido Liberal. Como resultado, a chapa ficou restrita a integrantes do próprio partido.
Em 5 de agosto de 2026, último dia do prazo para as convenções partidárias, Flávio anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente. A escolha resultou em uma chapa "puro-sangue", formada exclusivamente por políticos do PL, refletindo o isolamento do partido na formação de coligações nacionais.}}
Em 13 de agosto, Flávio inicialmente ficou impossibilitado de registrar sua candidatura à presidência após constar no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como filiado ao Partido Missão. O TSE informou que não houve hackeamento do sistema, mas que a filiação foi feita indevidamente por alguém que possuía as credenciais do Missão. No mesmo dia, a filiação de Flávio ao PL foi restabelecida e seu vínculo com o Missão foi excluído do histórico partidário por decisão do presidente do TSE, ministro Nunes Marques. Horas após a decisão, Flávio registrou sua candidatura no TSE, declarando um patrimônio de 8,186 milhões de reais.
Resultados
No primeiro turno das eleições presidenciais, Flávio obteve 56,1 milhões de votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos, finalizando em primeiro lugar. No segundo turno, no entanto, conquistou 59,8 milhões de votos (48,21% do eleitorado) e perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva, quando tornou-se o primeiro candidato a ganhar no primeiro turno e perder no segundo desde a redemocratização de 1988.
Fuga para os Estados Unidos
No dia 23 de outubro, dois dias antes do segundo turno, seu irmão Eduardo Bolsonaro, em entrevista ao podcast Louder with Crowder do comentarista político Steven Crowder, sugeriu que Flávio, se perdesse as eleições, poderia deixar o país.
Tendo obtido o segundo lugar na eleição, Flávio Bolsonaro não terá mais cargo público a partir de janeiro de 2027, e com isso perderá o foro privilegiado pela primeira vez em mais de 20 anos.
Na noite da eleição, dia 25 de outubro de 2026, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a entrega de passaportes e proibição de que ele deixe o país. A decisão determina a proibição de contato com Willer Tomaz, o cancelamento de seus passaportes brasileiros (incluindo o passaporte diplomático, que ele tinha por prerrogativa do cargo de senador) e a entrega em até 24 horas de passaportes de outras nacionalidades (ele tem um passaporte italiano desde 2023). A decisão foi provocada por pedido da Polícia Federal, que afirmou riscos "concretos e atuais de fuga" do senador.
No dia seguinte, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais em que afirmava não ter a intenção de deixar o país.
De acordo com as autoridades argentinas, às 22:50 do dia 27 de outubro, Flávio Bolsonaro cruzou a Ponte Internacional da Fraternidade entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazu com seus documentos de viagem, não havendo impedimento para a passagem por parte do governo argentino. Não há registro de sua passagem por nenhum controle migratório brasileiro. Menos de uma hora depois, embarcou para os Estados Unidos a bordo de um avião Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, pertencente a empresa Baires Fly. Na madrugada do dia 28, o avião pousou em Guaiaquil, no Equador, por cerca de 40 minutos para reabastecimento, antes de seguir viagem com destino a um aeroporto de aviação executiva na cidade de Opa-locka, nas proximidades de Miami, nos Estados Unidos, aonde chegou pela manhã.
A fuga do candidato derrotado foi destaque na mídia nacional e internacional. Segundo apuração do jornal O Globo, o plano de fuga já estava organizado semanas antes da derrota. Políticos da oposição solicitaram ao presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (UNIÃO-AP) que Flávio Bolsonaro perca seu mandato de senador e tenha o salário suspenso.
A decisão de Moraes em decidir pelas restrições sete minutos após a promulgação dos resultados eleitorais gerou críticas, tanto por parte de outros ministros do tribunal, quanto do governo Lula. Segundo a apuração da jornalista Bela Megale d'O Globo, os ministros avaliam que a ordem expedida por Moraes alimenta o discurso de perseguição política que Eduardo já vem tentando disseminar sobre a família Bolsonaro e que será reforçado por Flávio com sua fuga. Os ministros do governo Lula ouvidos avaliam a determinação da apreensão do passaporte tão próxima da derrota pode causar confusão nas informações, já que a ordem judicial não tem qualquer relação com a eleição.
Autodeclaração como presidente eleito
Em 28 de outubro de 2026, após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro divulgou uma carta na qual se declarou o "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Na mensagem, contestou o resultado das eleições presidenciais, alegou a ocorrência de fraude eleitoral e acusou autoridades brasileiras de perseguição política, sem apresentar provas que demonstrassem a existência de fraude capaz de alterar o resultado do pleito.
Na carta, Bolsonaro também criticou decisões do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, agradeceu aos presidentes Donald Trump e Javier Milei e afirmou que pretendia liderar a oposição ao governo brasileiro a partir dos Estados Unidos.
A primeira versão do documento apresentava uma reprodução desatualizada do brasão de armas nacional, com a inscrição "Estados Unidos do Brazil", denominação anteriormente utilizada pelo país. Posteriormente, uma versão corrigida foi divulgada, substituindo o símbolo pelo brasão oficial da República Federativa do Brasil.
A declaração não alterou o resultado oficial das eleições, que apontou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A legislação eleitoral brasileira não prevê a possibilidade de um candidato conferir a si próprio o mandato presidencial por meio de uma autodeclaração.
Mais tarde, Flávio Bolsonaro retirou o termo "presidente eleito do Brasil" do documento e trocou por "líder do Brasil".
A carta foi criticada por aliados de Flávio Bolsonaro no Brasil, como o presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que declarou: "o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente".
Escândalo do Banco Master e filme Dark Horse
Relação com Daniel Vorcaro
Após a revelação do áudio, em maio de 2026, em que Flávio Bolsonaro pedia 134 milhões de reais para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, diversas outras notícias e documentos foram publicados a respeito da ligação entre eles. Mesmo após divulgações do envolvimento, Flávio, de acordo com Aos Fatos, até setembro de 2026, mentiu pelo menos 43 vezes.
Contatos na véspera da prisão de Vorcaro
Nos dias que antecederam a primeira prisão de Daniel Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro de 2025 no contexto das investigações sobre o Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro realizou sucessivas tentativas de contato com o banqueiro. Registros extraídos pela Polícia Federal (PF) do aparelho celular de Vorcaro, e publicado pelo Estadão em setembro de 2026, indicam a existência de mensagens de texto, chamadas não atendidas e trocas de áudios entre os dois ao longo dos quatro dias anteriores à operação policial.
Em 13 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem solicitando contato telefônico e perguntando se Vorcaro poderia atender a uma ligação. O banqueiro respondeu que retornaria a ligação posteriormente, mas não há registro de conversa telefônica naquele momento. No dia seguinte, 14, o senador efetuou uma chamada de voz não atendida. No dia subsequente, após Vorcaro justificar sua indisponibilidade, Flávio voltou a solicitar contato telefônico.
Em 16 de novembro, véspera da prisão do banqueiro, ocorreu nova tentativa de ligação. Vorcaro informou que se encontrava na igreja e que telefonaria posteriormente. Na sequência, Flávio declarou apoio pessoal ao banqueiro e afirmou necessitar de orientação sobre decisões que precisavam ser tomadas. Em mensagem de áudio enviada anteriormente, em 8 de setembro de 2025, o senador havia relatado dificuldades financeiras relacionadas à manutenção de contratos e compromissos profissionais, mencionando a necessidade de recursos para preservar atividades que envolviam atores, diretores e equipes de produção de Dark Horse. Após ouvir o áudio, Vorcaro respondeu que buscaria viabilizar os pagamentos solicitados e afirmou que resolveria a questão no dia seguinte. Em seguida, ambos realizaram uma ligação por WhatsApp, cujo conteúdo não pôde ser recuperado pelos investigadores.
As interações ocorreram em um período de crescente pressão institucional sobre o Banco Master. Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central havia reprovado a operação de aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), encerrando um processo de análise que se estendera por mais de cinco meses. Nas semanas subsequentes, Flávio e Vorcaro continuaram a trocar mensagens, discutir projetos audiovisuais e organizar encontros presenciais.
Quando as tentativas de contato se intensificaram, já era de conhecimento público que a Polícia Federal investigava possíveis crimes relacionados à gestão do Banco Master e que havia pressões para a liquidação da instituição financeira. Documentos e anotações encontrados no celular de Vorcaro indicaram que o banqueiro acreditava ser alvo iminente de medidas cautelares e buscava alternativas para deixar o país. Foi então que Flávio indicou que seu irmão Eduardo Bolsonaro poderia viajar, oferecendo ajuda para um encontro nos Emirados Árabes Unidos, para onde Vorcaro iria tentar vender o Banco Master.
Suposto encontro sigiloso
Em dezembro de 2024, mensagens posteriormente incorporadas às investigações do Caso Master registraram tratativas relativas a um possível encontro entre Vorcaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. As conversas ocorreram entre Vorcaro e o empresário mineiro Flávio Carneiro e passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelas autoridades responsáveis pela apuração de supostas irregularidades envolvendo o banco e seu entorno empresarial.
Os diálogos indicam que a proposta de reunião teria sido intermediada por um interlocutor chamado Thiago, posteriormente identificado como Thiago Miranda, publicitário e lobista que, à época, mantinha vínculos empresariais com o Grupo Léo Dias de Comunicação. Em uma das mensagens, Carneiro questiona Vorcaro sobre sua participação em um jantar com seu "xará" e "o pai dele". Investigadores associaram essas referências, respectivamente, a Flávio e Jair Bolsonaro. Após demonstrar inicialmente desconhecimento sobre o assunto, Vorcaro passou a tratar o tema de forma reservada, sugerindo conversas prévias antes de qualquer definição.
No dia seguinte à primeira troca de mensagens, Vorcaro retomou o assunto e pediu discrição ao interlocutor. Segundo os registros analisados, o banqueiro manifestou preocupação com a eventual divulgação do encontro e indicou que o episódio poderia trazer consequências negativas para sua situação pessoal e profissional. No entanto, não é exposto, pelas mensagens, se o jantar mencionado realmente ocorreu.
Viagem em jatinho de Vorcaro
No dia 23 de setembro de 2026, a revista Piauí revelou que, em 19 de janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro viajou de Fort Lauderdale, na Flórida, para Brasília a bordo de uma aeronave executiva do modelo Legacy 650, prefixo PP-NLR. A viagem ocorreu na companhia de sua esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, de suas duas filhas e do advogado e empresário Willer Tomaz de Souza. Posteriormente, registros de tráfego aéreo, documentos aeroportuários e dados do Registro Aeronáutico Brasileiro permitiram identificar a aeronave utilizada no trajeto.
À época da viagem, a propriedade do avião era compartilhada por meio da empresa Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., estruturada em três cotas iguais. Uma das participações pertencia a Willer Tomaz, outra ao empresário Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e a terceira havia sido adquirida no final de 2024 pela Prime You, empresa da qual Daniel Vorcaro era sócio. Além de deter participação societária na aeronave, a Prime You também era responsável por sua operação por intermédio da empresa Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços.
A viagem ocorreu durante o período de negociação do financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O cronograma do investimento previa a realização de um aporte financeiro em 20 de janeiro de 2025, um dia após o retorno de Flávio Bolsonaro ao Brasil. Na mesma data, o senador entrou em contato com Thiago Miranda, apontado como intermediário das negociações, solicitando celeridade na análise jurídica relacionada ao investimento. As mensagens posteriormente reveladas indicam que Vorcaro pressionou interlocutores responsáveis pela operacionalização dos repasses, os quais sofreram atrasos em relação ao cronograma inicialmente previsto. A primeira parcela foi transferida apenas em fevereiro de 2025.
A mesma aeronave utilizada por Flávio em janeiro de 2025 tornou-se objeto de atenção pública posteriormente, quando foi identificada como o avião empregado em deslocamentos do ministro Alexandre de Moraes ao longo daquele ano, a quem Flávio Bolsonaro frequentemente criticava por ter usado o jatinho antes de sua própria viagem ter sido divulgada.
Posições políticas
Flávio Bolsonaro é conhecido, assim como o pai, por posições polêmicas. Em entrevista de abril de 2011, na qual defendia as posições controversas do pai, Flávio disse que a resposta do pai no programa CQC valorizava conceitos de "família", valores éticos e morais.
O deputado estadual também defendeu a ditadura militar brasileira em entrevista publicada pelo Estadão em abril de 2011. Segundo ele, "Naquele tempo havia segurança, havia saúde, educação de qualidade, havia respeito. Hoje em dia a pessoa só tem o direito de quê? De votar. E ainda vota mal." Bolsonaro afirmou que não teria havido ditadura no Brasil, pois a época teria sido "um período de transição para a democracia".
Flávio Bolsonaro é definido como ligado à direita e à extrema-direita. Embora tente se apresentar como representante de um "bolsonarismo moderado" ou de "conservadores", ideologicamente se alinha com próceres da extrema-direita, inclusive internacional. Em 2026, na pré-campanha presidencial, teve encontros na França com a eurodeputada Marion Maréchal, sobrinha de Marine Le Pen, com Benjamin Netanyahu em Israel (onde, acompanhado do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, afirmou que Jair Bolsonaro está preso "por causa de lawfare") e com a família real do Bahrein. Na América do Sul, acompanhado por Eduardo Bolsonaro, compareceu à posse de José Antonio Kast, novo presidente do Chile, e também manteve contatos com Javier Milei.
Todavia, a grande referência de Flávio são os Estados Unidos sob Donald Trump; após se lançar pré-candidato à presidência do Brasil, fez duas viagens ao país para encontros com lideranças conservadoras e de extrema-direita, com uma terceira agendada para o final de março de 2026, quando iria discursar na Conservative Political Action Conference (CPAC) em Grapevine, Texas. Donald Trump era uma das presenças aguardadas para o evento, onde especulava-se que poderia vir a fazer algum gesto de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Contudo, o presidente dos Estados Unidos não compareceu ao evento, pela primeira vez em quase uma década.
Política interna
Principal nome do bolsonarismo depois da prisão de Jair Bolsonaro, Flávio viu-se transformado em herdeiro político deste, embora não possua uma trajetória legislativa digna de nota. Conforme definido num artigo do Congresso em Foco, "sua candidatura parece frágil e pouco consistente, marcada mais pela herança política do pai, Jair Bolsonaro, do que por realizações próprias". Mais adiante, é destacado:
Como deputado estadual, Flávio Bolsonaro teve quatro mandatos sucessivos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), ocupando "cargos estratégicos em comissões de Segurança Pública, Defesa Civil, Legislação Constitucional e Direitos Humanos", onde pugnou pelo punitivismo (redução da maioridade penal, adoção da pena de morte), em defesa da ditadura militar brasileira, contra "políticas assistencialistas" que "criariam dependência e dificultariam a autonomia das populações mais vulneráveis" e contra "cotas raciais em universidades" por supostamente produzir "injustiças". Seu maior destaque neste período teria sido a criação da Comissão Especial de Planejamento Familiar, que contribuiria para a "redução do ciclo da pobreza e ao fortalecimento da liberdade individual".
A trajetória de Flávio Bolsonaro pela ALERJ ficou efetivamente marcada pela concessão de medalhas e moções a pessoas posteriormente denunciadas "pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como integrantes de organizações criminosas". Dentre os homenageados, estão Adriano Nóbrega, o major Ronald Pereira, e o ex-chefe da Polícia Civil fluminense, Allan Turnowski. Quando questionados sobre as premiações, Flávio Bolsonaro e seu pai alegaram que "ao longo de anos na política, sempre fizemos homenagem a policiais que se destacaram pelos serviços prestados à população. À época das homenagens, era impossível prever que alguns desses policiais pudessem desonrar a farda".
Eleito para o Senado em 2018, na esteira da vitória de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro teve destaque em três projetos: como autor do PL N.º 5 335/2023 que legalizava imóveis urbanos em terras da União, estados e municípios ocupadas irregularmente; também como autor do PL N.º 4 082/2024, que vedava a concessão de liberdade provisória a presos em flagrante pela prática de crimes hediondos; e como relator na PEC N.º 3/2022, mais conhecida como a "PEC das Praias", que transferia para ocupantes particulares a posse de "terrenos de marinha". Em agosto de 2026, foi revelado que Flávio Bolsonaro possuía interesse pessoal nesse projeto, pois através de um processo que tramitou com extrema rapidez junto a União, em julho de 2022 o advogado Willer Tomaz de Souza (ligado a Flávio), conseguiu a posse de um "terreno de marinha" onde estava situada a mansão do jogador Richarlison, na Ilha Comprida, Angra dos Reis.
Religião
Declaradamente evangélico (batizado em 2024 na Igreja Comunidade das Nações do pastor JB Carvalho em Brasília, juntamente com sua esposa, Fernanda), Flávio Bolsonaro se fez batizar no rio Jordão por duas vezes: em 2016, pelo Pastor Everaldo, juntamente com o pai, Jair Bolsonaro, e em 2026, durante visita de campanha à Israel, ocasião em que foi fotografado orando no Muro das Lamentações em Jerusalém. Flávio Bolsonaro recebeu manifestações de apoio de líderes de denominações evangélicas em sua campanha pela presidência da república em 2026, supostamente pelo seu "discurso moderado". Como parte deste discurso, ele emprega termos como "guerra espiritual", "resgate de almas" e em comemorar a "vitória do bem sobre o mal" (referindo-se à possibilidade de vencer as eleições presidenciais de 2026). Flávio Bolsonaro também procurou reforçar seus vínculos com os assim denominados "cristãos sionistas" e com a comunidade judaica, emulando o que foi feito por Trump nos Estados Unidos.
Segurança pública
Não contraditoriamente, ainda que defensores do populismo penal, Flávio Bolsonaro e seu pai nunca esconderam sua simpatia por paramilitares e milicianos. Em seu segundo mandato na ALERJ, o então deputado Flávio Bolsonaro planejava "apresentar um projeto regulamentando a atividades das 'polícias mineiras'". Segundo suas próprias palavras:
Flávio e o restante da família Bolsonaro também adotam uma posição armamentista, defendendo a flexibilização das normas para posse e porte de armas de fogo por civis.
Também é a favor da diminuição da maioridade penal, mas afirma não mais defender a pena de morte.
Política externa
Segundo Eduardo Bolsonaro, a política externa num eventual governo Flávio Bolsonaro seria guiada "por princípios simples, mas que têm sido sistematicamente ignorados: primazia dos interesses nacionais clara e objetivamente identificados, priorização de parcerias estratégicas que beneficiem o Brasil no curto, médio e longo prazo, respeito aos valores democráticos e ao estado de direito, e fortalecimento das relações com os países que compartilham esses valores, sem ceder nem um milímetro da soberania e da autonomia estratégica nacionais". O próprio Flávio disse defender uma interlocução internacional "sem barreiras ideológicas", após comparecer à posse de José Antonio Kast como presidente do Chile, ocasião em que agradeceu a Javier Milei da Argentina por ter concedido asilo político a um dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro em Brasília.
Ainda segundo Eduardo Bolsonaro, o governo Lula faria uso da política externa brasileira como um "um apêndice da militância político-partidária", e que o governo Bolsonaro teria detido a "erosão sistemática" do capital diplomático do Brasil, o qual agora estaria "praticamente esgotado", com os "custos da irresponsabilidade" sendo sentidos em "acordos que não se fecham, em investimentos que não chegam e em parcerias estratégicas que se tornam cada vez mais distantes". Os países visitados pelo ex-deputado e seu irmão em fevereiro de 2026, fornecem um vislumbre do que os Bolsonaro considerariam bons parceiros internacionais para "relações confiáveis e de longo prazo":
Israel: "parceiro estratégico de enorme relevância para o Brasil em áreas como tecnologia, agronegócio, defesa e inovação, entre outros";
Emirados Árabes Unidos e Bahrein: "portas de entrada para um mercado de elevadíssimo poder aquisitivo, com apetite real por produtos e serviços brasileiros, e constituem hubs financeiros e logísticos de importância crescente na economia global, com capacidade de aportar capital em infraestrutura e energia exatamente nos setores em que o Brasil mais precisa";
França: "parceiro histórico, é uma ponte essencial para o aprofundamento das relações com a Europa e para acordos que podem impulsionar a competitividade da indústria e do agronegócio brasileiros";
Estados Unidos: "maior economia do planeta e parceiro insubstituível em termos comerciais, tecnológicos e de segurança".
Mesmo com declarações sobre defesa da "soberania" e "autonomia estratégica", ter uma boa relação com os Estados Unidos de Donald Trump, que foi a tônica do governo Jair Bolsonaro, balizariam um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O vínculo dos Bolsonaro com os EUA é fundamentalmente ideológico: trata-se de uma aliança entre bolsonarismo e trumpismo; estes laços, que se viram enfraquecidos durante o enfrentamento ao tarifaço imposto por Trump ao Brasil (e incentivado pelos Bolsonaro), tentam agora ser reforçados por Flávio Bolsonaro, ao endossar a tese estadunidense de que o crime organizado no Brasil é composto por organizações terroristas, e que o governo Lula seria omisso quanto a isso. Essa é uma perspectiva que permitiria aos estadunidenses intervir inclusive militarmente no Brasil, já que se julgam no direito de combater o que consideram terrorismo em qualquer lugar do mundo.
Ainda em relação ao alinhamento ideológico aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro rotulou como "inaceitável" a nota do governo brasileiro, que condenou o ataque ao Irã feito pela coalisão Israel-Estados Unidos. Flávio Bolsonaro e seus aliados estariam assim, "evocando a defesa da civilização ocidental e o combate ao terrorismo". Em visita a Israel, principal aliado dos EUA no Oriente Médio, Flávio Bolsonaro declarou que buscaria reaproximar o Brasil do país sionista, "após a relação entre os dois países ficar estremecida desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)". Na ocasião, o pré-candidato também acusou o governo Lula de antissemitismo.
Questões sociais
Declarações contra homossexuais
O deputado é acusado de homofobia por suas declarações, como, por exemplo, "o normal é ser heterossexual" e "duvido que algum pai tenha orgulho de ter um filho gay". A fala, que reitera a posição de Jair Bolsonaro na televisão, foi repudiada por vários segmentos da sociedade brasileira. Marcelo Tas, apresentador do CQC, afirmou que sente orgulho de sua filha homossexual e criticou as posições dos Bolsonaros. De acordo com entrevista publicada no Jornal do Brasil, o deputado, que nega as acusações de racismo feitas ao pai, endossa a posição do pai em relação aos homossexuais.
Em 2018, foi alvo de uma representação devido a vídeos em que afirmava que um "kit gay" contendo o livro Aparelho Sexual e Cia. havia sido distribuído pelo MEC a escolas, o que foi considerado pelo TSE como "difusão de fato sabidamente inverídico … com prejuízo ao debate político".
Misoginia
Em 24 de março de 2026, com voto favorável de Flávio Bolsonaro, o Senado Federal aprovou um projeto que equipara misoginia ao crime de racismo. A atitude causou estranheza entre políticos e apoiadores da direita, inclusive com manifestação pública de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador:
Em 28 de março de 2026, após sua participação no CPAC, Estados Unidos, Flávio Bolsonaro declarou que, na verdade, não concordava com o projeto ("instrumentos para o governo censurar a liberdade de expressão, a liberdade de opinião nas redes sociais"), rotulado por ele como "uma grande armadilha do PT para mim", e que seu voto foi dado em função do placar da votação:
Vida pessoal
É casado com Fernanda Bolsonaro, com quem tem duas filhas. É irmão de Carlos e Eduardo Bolsonaro, filhos do primeiro casamento de Jair Bolsonaro com Rogéria Nantes Braga. Possui ainda como meio-irmãos Jair Renan Bolsonaro, filho do segundo casamento de Jair Bolsonaro com Ana Cristina Valle, e Laura Bolsonaro, filha do casamento com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Flávio é por vezes chamado de 01, por ser o filho mais velho de Jair Bolsonaro. A numeração foi adotada pelo ex-presidente para organizar os filhos homens na ordem de nascimento (01: Flávio, 02: Carlos, 03: Eduardo, 04: Renan), uma prática comum no ambiente militar para designar hierarquia ou ordem.
Cristão evangélico, Flávio Bolsonaro, em matéria publicada pelo PlatôBR em setembro de 2026, segundo seu ex-sócio Alexandre Santini, participava de festas privadas com garotas de programa. Isso, de acordo com a matéria, teria provocado uma crise no casamento; no entanto, Fernanda optou por continuar no matrimônio. No mês seguinte, a revista pauí revelou que, durante a pandemia de Covid-19, Flávio havia participado de outra festa em uma lancha, acompanhado de empresários e garotas de programa.
Tiroteio
No dia 12 de abril de 2016, Flávio Bolsonaro e seu segurança, que também é policial militar, trocaram tiros com dois assaltantes que praticavam roubo em um carro à sua frente na zona oeste do Rio de Janeiro, um dos bandidos ficou ferido e fugiu de moto.
Atuação profissional fora da política
Advogado
Flávio atua como advogado através de seu escritório, Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, empresa que tem como sócia Letícia Caetano dos Reis. A sede da empresa se localiza em uma mansão no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, em Brasília, comprada por 5,97 milhões de reais em 2021. À Folha de S.Paulo, Flávio justificou rendimentos como advogado como fonte do dinheiro para pagar o imóvel. Apesar disso, até junho de 2022 não havia registros de processos nos quais Flávio tenha atuado como advogado no Distrito Federal e no Rio, as duas unidades federativas as quais o senador tem inscrição válida na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Posteriormente, atuou na defesa de sócios do Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como Faraó dos Bitcoins, denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por crimes contra o sistema financeiro, gestão fraudulenta e organização criminosa em uma fraude que chega ao valor de 38 bilhões de reais. Além disso, também atuou na defesa de quatro policiais acusados de uma tocaia na favela do Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em conjunto com o advogado Paulo Klein, que já foi responsável pela defesa de Fabrício Queiroz.
Flávio Bolsonaro também atuou na defesa de Bruno Delaroli, policial militar acusado de assassinar uma criança de cinco anos, Ana Clara Machado, com um tiro de fuzil, em um patrulhamento de rotina no Rio de Janeiro. A Justiça determinou que o caso fosse levado a júri popular, e Flávio Bolsonaro integrou o time de advogados do policial assinando um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para evitar o júri popular. O tribunal negou o pedido. O caso foi abordado no terceiro episódio da série Revelando, "O Julgamento que Nunca Aconteceu", apresentado pela atriz Camila Pitanga, com depoimentos da mãe da menina e contextualizando com notícias da época.
Um levantamento de julho de 2026 do jornal O Globo mostra o Flávio Bolsonaro atuando em um total de 18 casos, excluindo aqueles que correm em segredo de justiça. Além disso, a empresa emitiu uma nota fiscal no valor de 500 mil reais referentes à prestação de "consultoria jurídica" a uma empresa envolvida com o caso do Escândalo do Banco Master, que recebeu 58 milhões de reais do banco entre 2024 e 2025. O contador de seu escritório de advocacia, Alexandre Caetano dos Reis, irmão de sua sócia Letícia, foi preso no caso dos desvios do INSS.
Além disso, Flávio Bolsonaro se integrou formalmente à equipe de defesa jurídica de seu pai, uma manobra que lhe permite ter mais acesso a Jair na prisão, bem como acesso irrestrito aos processos que o envolvem.
Empresário
Paralelamente às duas ocupações, Flávio também tem atividade empresarial, através da empresa Bravo Grafeno, com capital social de cem mil reais. A empresa vende capacetes e viseiras feitos de grafeno e tem como garoto propaganda seu pai, Jair Bolsonaro. A sede da empresa é numa sala comercial em Brasília, coincidentemente a mesma utilizada por Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como Careca do INSS, implicado no Esquema de fraudes no INSS.
Entre 2015 e 2020, Flávio foi sócio da empresa Bolsotini Chocolates e Café Ltda., operando uma loja de chocolates, franquia da Kopenhagen, no shopping Via Parque, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, em sociedade com Alexandre Ferreira Dias Santini. A sociedade foi desfeita em 2020 e a loja foi vendida. A venda da loja coincide com a denúncia do Ministério Público. O dado que chamou a atenção dos investigadores é que a contabilidade da loja de chocolates não refletia o aumento de vendas esperado da época de Páscoa, concluindo que o negócio tinha a "finalidade de acobertar a inserção de recursos decorrente do esquema de rachadinhas da Alerj no patrimônio de Flávio Bolsonaro sem levantar suspeitas", no que ficaria conhecido como Caso Queiroz. No mesmo ano, o empresário que vendeu a loja aos sócios, Cristiano Correia Souza e Silva, declarou ao Jornal Nacional que a loja fraudava notas fiscais, ao vender os chocolates a um preço abaixo do tabelado pela Kopenhagen, mas lançando a nota fiscal com o valor cheio. A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as provas colhidas em primeira instância, de forma que Flávio nunca respondeu pelo caso.
Em 2023, Alexandre Santini cobrou na Justiça indenização de 1,47 milhão de reais por "divisão desigual de lucros e pagamentos que Santini diz ter feito sem receber reembolso." Em 2026 o caso voltou a tona, com Santini vazando prints de mensagens de WhatsApp supostamente enviadas por Flávio solicitando a contratação de serviços de profissionais do sexo.
Ver também
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