Ganhou projeção nacional nas redes sociais durante a greve dos caminhoneiros no Brasil em 2018 e, na pandemia de COVID-19, com a defesa do Auxílio Emergencial. Lançou pré-candidatura à Presidência da República em 2022, mas desistiu para apoiar Luiz Inácio Lula da Silva e passou a atuar na estratégia digital da campanha petista. Nesse período, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou remover publicações suas por considerá-las desinformação, e o próprio deputado descreveu seus métodos como "eticamente duvidosos" no livro Janonismo cultural, de 2023, embora negue ter divulgado notícias falsas. Na eleição presidencial de 2026, criou e administrou o canal "Exército do Lula" no WhatsApp, que reuniu cerca de 10 milhões de seguidores.
Em 2025, firmou com a Procuradoria-Geral da República um acordo de não persecução penal, homologado pelo Supremo Tribunal Federal, no qual admitiu irregularidades no inquérito sobre a prática de "rachadinha" em seu gabinete e se comprometeu a pagar 157,8 mil reais. No mesmo ano, teve o mandato suspenso por três meses pelo Conselho de Ética da Câmara por ofensas ao deputado Nikolas Ferreira. A Justiça de Minas Gerais concedeu à sua ex-companheira, a prefeita de Ituiutaba Leandra Guedes, medida protetiva com base na Lei Maria da Penha, após acusação de ameaça de divulgação de imagens íntimas, que Janones nega.
Biografia
Nasceu em Ituiutaba, em 5 de maio de 1984, filho de Divina Gaspar Janones.
Seu primeiro emprego foi como cobrador de ônibus entre 2003 e 2005. Em 2004, conseguiu uma bolsa de estudos na então Fundação Educacional de Ituiutaba, hoje Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).
Em 2005, passou a trabalhar como escrevente no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), em Ituiutaba. Em 2008, foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e constituiu seu escritório André Janones & Advogados Associados.
É membro da Igreja Batista da Lagoinha.
Vida política
Em 2016, candidatou-se a prefeito de Ituiutaba pelo Partido Social Cristão (PSC), terminando em segundo lugar, com 13 759 votos (24,40% dos votos válidos). Ganhou notoriedade ao se apresentar como uma das principais lideranças da greve dos caminhoneiros no Brasil em 2018, movimento do qual se tornou porta-voz nas redes sociais sem nunca ter sido caminhoneiro, e, em decorrência disso, foi eleito deputado federal pelo Avante nas eleições de 2018. Foi o terceiro deputado federal mais votado de Minas Gerais, com 178 660 votos (1,77% dos votos válidos). Recebeu destaque durante as votações do Auxílio Emergencial, quando uma de suas transmissões ao vivo no Facebook chegou a ser a mais comentada do mundo ocidental, com 3,3 milhões de visualizações e 177 mil comentários, igualando a marca da cantora sertaneja Marília Mendonça.
Sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Avante foi oficializada em 29 de janeiro de 2022. Em entrevista ao jornalista Roberto D'Ávila, exibida pela GloboNews em 12 de abril de 2022, afirmou não ter "uma análise profunda sobre a Argentina" e, perguntado sobre o nome do presidente do país, respondeu que era Emmanuel Macron, presidente da França; o mandatário argentino era Alberto Fernández. Após um silêncio, acrescentou "da França" e confirmou que Macron presidia aquele país. Também disse não saber quem governava a China. Justificou que um presidente precisa saber "muito mais o que o trabalhador, a empregada doméstica, o pedreiro está precisando", citou preços do gás de cozinha, do arroz e do feijão e declarou: "posso te falar a cesta básica inteira [...] Isso eu entendo muito bem, muito mais do que política externa". Questionado se estudaria o tema, respondeu que aprenderia "no exercício do mandato". Em 4 de agosto de 2022, durante uma transmissão ao vivo ao lado do ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou a desistência da candidatura para apoiar o petista: "A partir desse momento a nossa candidatura está unificada e passa a ser representada pela candidatura do presidente Lula", declarou. Após a desistência, passou a colaborar com as redes sociais de Lula.
Em 2 de agosto de 2022, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) cassou as candidaturas do Avante à Câmara dos Deputados em 2018, entre elas a de Janones, depois que o Ministério Público Eleitoral denunciou que o partido havia registrado candidaturas femininas de forma fraudulenta para simular o preenchimento da cota de gênero. Janones declarou que a decisão não tinha efeito imediato e que recorreria ao TSE.
Eleição de 2022
Na eleição presidencial de 2022, atuou nas redes sociais da campanha de Lula adotando técnicas que a imprensa associou ao bolsonarismo. Embora tivesse menos seguidores que Jair Bolsonaro, ampliou o engajamento a favor de Lula com uma tática descrita como de "guerrilha", centrada em publicações destinadas a desgastar a imagem do adversário, o que lhe valeu os apelidos de "cachorro louco" e "Carluxo da esquerda". Em entrevista ao Estado de Minas em outubro de 2022, defendeu o uso das "mesmas armas" atribuídas ao grupo de Bolsonaro para "salvar a democracia", acrescentando que ninguém conseguia apontar qual notícia falsa ele teria divulgado. Seu estilo de publicações ganhou o nome de "janonismo cultural" e repercutiu no exterior: participou de documentário nos Estados Unidos sobre como enfrentar a direita nas redes sociais, deu entrevistas sobre o assunto à The New Yorker e à Al Jazeera e foi convidado a palestrar na conferência EuroLeads, em Lisboa.
Durante o primeiro debate presidencial na Band, em agosto de 2022, discutiu na sala de convidados com o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles ao afirmar que o desmatamento havia sido menor no governo Lula do que no governo Bolsonaro; os dois tiveram de ser separados por seguranças.
Agências de checagem e veículos de imprensa identificaram como falsas ou distorcidas diversas publicações suas na campanha, entre elas: o suposto fim do Auxílio Brasil; a afirmação de que Roberto Jefferson seria coordenador informal da campanha presidencial de Jair Bolsonaro; a de que Bolsonaro nomearia o ex-presidente Fernando Collor de Mello ministro, se reeleito; a de que Bolsonaro teria feito um pacto com a maçonaria para vencer a eleição de 2018; a de que o ex-jogador Robinho, condenado por estupro na Itália, não seria extraditado por apoiar Bolsonaro; a de que o Partido Liberal (PL), partido de Bolsonaro, estaria por trás da suspensão do piso salarial da enfermagem; e a de que Bolsonaro havia defendido a redução do salário mínimo.
O TSE monitorou diariamente suas contas durante o segundo turno e ordenou a remoção de várias de suas publicações. Em 8 de setembro de 2022, o ministro Paulo de Tarso Sanseverino determinou que o Twitter e o Facebook excluíssem postagens que relacionavam Bolsonaro à suspensão do piso da enfermagem, por considerar que divulgavam afirmações "inverídicas e manipuladas". Em resposta à jornalista Vera Magalhães, Janones havia escrito que não divulgara notícia falsa, mas apenas deixara "uma fala no ar", como, segundo ele, faziam os adversários. Em 24 de outubro, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, mandou retirar publicações que associavam Bolsonaro ao ataque de Roberto Jefferson a agentes da Polícia Federal e proibiu novas postagens com esse teor, sob multa diária de 100 mil reais; Janones afirmou que cumpriria a decisão. Em agosto, o ministro Raul Araújo havia negado pedido da campanha de Bolsonaro para remover um vídeo em que Janones responsabilizava o então presidente pelas mortes na pandemia.
O Progressistas (PP) e o PL apresentaram representações ao Conselho de Ética da Câmara pedindo a cassação de seu mandato pela divulgação de notícias falsas contra Bolsonaro. Em defesa de Janones, o cientista político Pedro Castelo Branco, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, avaliou que suas publicações eram agressivas e por vezes tiradas de contexto, mas que não inventavam fatos, e criticou a equiparação com a atuação bolsonarista nas redes.
Em 2 de outubro de 2022, foi reeleito deputado federal, com 238 967 votos (2,13%). Integrou a equipe de Comunicação Social do gabinete de transição do governo Lula.
Em novembro de 2022, acusou nas redes sociais o instituto Paraná Pesquisas de ter recebido 13 milhões de reais do governo federal por meio da Secretaria de Comunicação Social (Secom). O instituto divulgou nota em que afirmou que o deputado faltava com a verdade e anunciou que o processaria.
Livro Janonismo cultural
Em novembro de 2023, lançou o livro Janonismo cultural: o uso das redes sociais e a batalha pela democracia no Brasil, com 176 páginas, sobre os bastidores de sua atuação na campanha de 2022. Segundo reportagem de O Globo, a obra relata episódios em que ele divulgou conteúdo falso para "desestabilizar" Bolsonaro, como a insinuação, às vésperas do debate da TV Globo no segundo turno, de que teria tido acesso a informações comprometedoras do celular do ex-ministro Gustavo Bebianno, morto em 2020, aparelho do qual nunca se aproximou, e a notícia de que Collor ganharia um ministério num eventual segundo mandato de Bolsonaro. Janones afirmou que o jornal mentia no título da reportagem e declarou ao Poder360 que seus métodos eram "questionáveis" e "eticamente duvidosos", mas que se tratava de blefe e manipulação de informação, não de notícias falsas.
Com base na reportagem, 41 deputados de oposição, liderados por Paulo Bilynskyj (PL-SP), apresentaram ao STF uma notícia-crime pedindo que a Procuradoria-Geral da República investigasse Janones pelo crime previsto no artigo 323 do Código Eleitoral, que proíbe a divulgação de fatos sabidamente inverídicos para influenciar o eleitorado, e que ele fosse incluído no Inquérito das Fake News. Em novembro de 2023, a defesa de Bolsonaro pediu ao TSE a inclusão do livro numa ação de investigação judicial eleitoral contra Lula, Geraldo Alckmin e Janones.
Ações judiciais por declarações nas redes sociais
Segundo levantamento do Estadão publicado em outubro de 2026, Janones foi condenado ao menos três vezes por danos morais em tribunais estaduais do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e de Santa Catarina por declarações contra adversários bolsonaristas. Em abril de 2023, a Justiça de Minas Gerais condenou Janones a pagar 5 mil reais de indenização por danos morais a Nikolas Ferreira, por publicação de 2022 em que se referiu a "um vereador pedófilo" que questionava sua inscrição na OAB; a Justiça entendeu que a postagem se dirigia a Nikolas e insinuava a prática de crimes. Em dezembro de 2024, o Poder360 noticiou que o deputado, ao assinar um ofício à Procuradoria-Geral da República em que pedia a extinção do PL e se apresentava como parlamentar, usara um registro da OAB que constava como suspenso no cadastro da entidade; sua assessoria não comentou.
Em 14 de junho de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu, por 8 votos a 3, uma queixa-crime do ex-presidente Jair Bolsonaro contra Janones pelo crime de injúria, tornando o deputado réu numa ação penal. Em 2026, a defesa de Bolsonaro apresentou nova queixa-crime ao STF por calúnia e difamação, após vídeo em que Janones o chamou de "ladrão" ao comentar a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente. No mesmo ano, a Justiça do Distrito Federal rejeitou ações cíveis de Bolsonaro que pediam indenização e a retirada de vídeos em que Janones o acusava de ter mandado matar Lula e o chamava de "ladrão"; o juiz considerou que as declarações estavam ligadas ao debate político e protegidas pela imunidade parlamentar, ressalvando que a sentença não chancelava excessos nem reconhecia como verdadeiras as acusações.
Processo sobre a prática da rachadinha e acordo judicial
Em 27 de novembro de 2023, o portal Metrópoles divulgou um áudio atribuído a Janones no qual ele pedia a funcionários de seu gabinete na Câmara dos Deputados parte do salário para cobrir dívidas de sua campanha à prefeitura de Ituiutaba em 2016. A gravação teria sido feita em 2019 pelo jornalista Cefas Luiz Paulino, ex-assessor do deputado, que o acusou da prática conhecida como "rachadinha". Janones negou as acusações, classificou a gravação como "clandestina e criminosa" e afirmou que ainda não exercia o mandato quando ela foi feita. Os ex-assessores Cefas Luiz Paulino e Fabrício Ferreira de Oliveira afirmaram à imprensa que os servidores repassavam em dinheiro vivo parte dos salários, inclusive do décimo terceiro, e acusaram o deputado de assédio moral, divulgando mensagens em que ele chamava membros da equipe de "burros" e "incompetentes". Janones não negou a autenticidade do áudio, mas afirmou que o pedido fora apenas uma "sugestão", vetada por sua advogada e nunca posta em prática, e que as falas estavam fora de contexto. Segundo a CNN Brasil, citada pela BBC, as denúncias foram anexadas a uma apuração preliminar que tramitava no STF desde maio de 2023, sob relatoria de Luiz Fux, originada de inquérito da Polícia Federal em Uberlândia sobre Janones e Leandra Guedes. Esse inquérito, sobre suposto desvio de emendas parlamentares destinadas a recapeamento asfáltico e apresentações musicais em Ituiutaba, foi arquivado em relação a Janones por Fux em 12 de fevereiro de 2025, a pedido da Procuradoria-Geral da República, que considerou que o relatório da PF indicava possíveis ilícitos, mas excluía a participação do deputado; a apuração sobre os demais investigados, incluindo Leandra, foi enviada ao Tribunal Regional Federal da 6.ª Região. Um novo áudio divulgado em dezembro indicou que a reunião ocorrera em 5 de fevereiro de 2019, quando ele já era deputado. O PL pediu a cassação de seu mandato em 28 de novembro. Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro investigado por suspeita de rachadinha e alvo frequente de provocações de Janones, ironizou o caso nas redes sociais.
Em janeiro de 2024, a Polícia Federal informou ao STF que a investigação sugeria a existência de rachadinha no gabinete e pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal do deputado e de outros investigados. Janones declarou estranhar o pedido, pois afirmava ter colocado os sigilos à disposição desde o início e ainda não ter sido ouvido. Em 21 de fevereiro de 2024, o ministro Luiz Fux, relator do caso no STF, autorizou a quebra dos sigilos do deputado, de assessores e de ex-assessores.
Em 5 de junho de 2024, o Conselho de Ética da Câmara arquivou, por 12 votos a 5, o processo disciplinar aberto contra Janones pelo suposto esquema, com parecer do relator Guilherme Boulos (PSOL-SP). Após a votação, Janones e deputados de oposição trocaram empurrões, e ele deixou o local escoltado pela Polícia Legislativa.
Em 12 de setembro de 2024, a Polícia Federal indiciou o deputado e os assessores Mário Celestino da Silva Junior e Alisson Alves Camargos. Segundo o relatório da PF, um dos mecanismos seria o uso de um cartão de crédito adicional em nome de um assessor para despesas pessoais, cujo ressarcimento o deputado ainda solicitava à Câmara. Em 28 de outubro, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, afirmou que a investigação havia confirmado em parte a hipótese de peculato e pediu 60 dias para negociar um acordo de não persecução penal (ANPP).
O acordo foi assinado em 6 de março de 2025. Nele, Janones admitiu que, no início de 2019, por estar com o nome negativado, pediu ao assessor Mário Celestino um cartão de crédito adicional, usado para despesas pessoais em 2019 e 2020 e cujas faturas foram pagas pelo assessor. Comprometeu-se a pagar 157,8 mil reais, sendo 131,5 mil de reparação à Câmara dos Deputados e o restante de multa, a encerrar as práticas investigadas e a não cometer novo crime durante o cumprimento do acordo. O acordo foi homologado por Fux no Inquérito 4949, depois de audiência em que o deputado confirmou sua adesão. Os dois assessores recusaram a proposta, e o caso deles foi enviado à Justiça Federal do Distrito Federal. Posteriormente, Fux determinou que Janones comprovasse o pagamento das parcelas. Antes do acordo, o deputado atribuía as acusações a perseguição política e a um áudio "editado e descontextualizado". A prefeita de Ituiutaba, Leandra Guedes, que havia trabalhado como assessora de Janones, também foi investigada no inquérito, mas não foi indiciada.
Suspensão de mandato
Em 15 de julho de 2025, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, por 15 votos a 3, segundo a Agência Câmara, a suspensão cautelar do mandato de Janones por três meses, até 15 de outubro. A decisão foi motivada por um episódio de 9 de julho, quando Janones interrompeu com insultos o discurso do deputado Nikolas Ferreira, que lia na tribuna a carta em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciava tarifa de 50% sobre produtos brasileiros; a confusão com deputados do PL levou à interrupção da sessão.
A representação foi apresentada pela Mesa Diretora da Câmara, com base em ofício do corregedor parlamentar, Diego Coronel, após provocação do PL, e pedia suspensão de seis meses. O relator, deputado Fausto Junior (União-AM), recomendou três meses, o que foi acolhido pela maioria. No parecer, afirmou que Janones proferira insultos como "capachos" e "vira-latas" e ofensas de cunho homofóbico, como chamar o colega de "Nikole", em referência a um episódio em que Nikolas usou peruca na tribuna, e que suas ações "ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar".
Janones negou ter cometido infração ética e afirmou ter apenas reagido a ofensas, como ser chamado de "rachadinha" por deputados do PL. Declarou ter sido agredido fisicamente pelo que chamou de "tropa de choque bolsonarista", registrou queixa-crime e fez exame de corpo de delito. Optou por não recorrer ao plenário, o que poderia ampliar a punição para até seis meses. Em 5 de agosto de 2025, o Conselho instaurou processo disciplinar sobre o mesmo episódio, que poderia levar à cassação. Janones reassumiu o mandato em 16 de outubro de 2025.
Eleição de 2026
Depois de negociar com o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o PT, Janones deixou o Avante e filiou-se à Rede Sustentabilidade em março de 2026, durante a janela partidária. O partido, federado ao PSOL, chegou a cogitar lançá-lo ao governo de Minas Gerais. Em entrevista ao SBT News em agosto de 2026, negou ser agente de notícias falsas, mas afirmou que faria campanha para Lula com "meias verdades", que definiu como "fala solta para gerar interpretação dúbia". Em 4 de outubro, foi reeleito para o terceiro mandato, com 78 780 votos (0,69%), cerca de dois terços a menos que em 2022.
O canal "Exército do Lula", criado por Janones no WhatsApp em abril de 2026 para mobilizar apoiadores da reeleição do presidente, ganhou projeção após o primeiro turno, em que Lula terminou mais de dois milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro (PL): tinha 60 mil seguidores em 6 de outubro e chegou a um milhão em poucas horas, depois que o deputado anunciou que não esperaria mais pela campanha para tentar virar a eleição. Pelo canal, distribuiu orientações para a produção de memes, o compartilhamento de vídeos e ações coordenadas nas redes. Em 11 de outubro, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, o presidente do TSE, Nunes Marques, determinou a suspensão do canal, com o argumento de que ele usava uma estrutura de transmissão em massa para disseminar conteúdos que a Justiça Eleitoral já teria reconhecido como inverídicos. Na tarde do mesmo dia, o corregedor-geral eleitoral, Villas Bôas Cueva, restabeleceu-o provisoriamente, por entender que a medida era uma "restrição direta ao funcionamento de um meio de comunicação eleitoral" e que a Presidência interferira num processo sob sua relatoria. Após novas restrições, a campanha de Lula registrou o canal na Justiça Eleitoral como propaganda eleitoral, em 13 de outubro. Em 23 de outubro, o ministro Floriano de Azevedo Marques, atendendo à coligação de Lula, suspendeu os efeitos de decisões, já tomadas ou futuras, que resultassem na suspensão ou restrição do canal, até o julgamento do mandado de segurança, e determinou que Nunes Marques não usasse sua competência para retirá-lo do ar até que o plenário decidisse o tema. O canal ultrapassou 10 milhões de seguidores no mesmo dia. Em transmissão ao vivo com Lula, em 22 de outubro, Janones afirmou que o canal nunca havia divulgado notícia falsa nem ataque ao adversário.
Na madrugada de 19 de outubro, após acompanhar nos bastidores o debate presidencial da Band entre Lula e Flávio Bolsonaro, Janones foi internado com arritmia cardíaca na unidade de terapia intensiva do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, sob os cuidados da cardiologista Ludhmila Hajjar. Recebeu alta no dia 20.
Janones não acompanhou Lula no último debate, realizado pela TV Globo, no Rio de Janeiro, em 23 de outubro. A campanha de Flávio Bolsonaro convidou para a plateia a ex-companheira do deputado, Leandra Guedes, que tem contra ele medida protetiva que o obriga a manter distância mínima de 300 metros e o proíbe de frequentar os mesmos locais. O senador Camilo Santana, da campanha petista, afirmou que a presença de Janones não estava prevista e que ele faria uma transmissão ao vivo de checagem durante o debate, o que ocorreu. Segundo o Metrópoles, a intenção da campanha de Flávio era impedir a presença do deputado no estúdio. Janones afirmou que já não pretendia ir, pois começaria logo após o debate uma transmissão de 24 horas em apoio a Lula. Em vídeo publicado no dia seguinte, Leandra declarou: "Não é sobre vingança, nunca foi. É sobre dar voz às mulheres que quem está no poder tenta calar".
Segundo o Estadão, no segundo turno Janones chegou ao comando da comunicação da campanha de Lula e conduziu a mobilização por meio de "missões" dadas aos "soldados" do canal, e orientou apoiadores a responder a quem dissesse não gostar dele: "a gente só vai usá-lo para ganhar a campanha do Lula". Lula venceu o segundo turno em 25 de outubro e, na entrevista após a apuração, saudou o "meu general Janones", erguendo o braço do deputado. Naquela noite, o canal reunia 10 919 874 pessoas. No dia seguinte, o presidente disse que passaria a se comunicar com apoiadores pelo canal, e Janones anunciou que pretendia mantê-lo ativo durante o novo mandato.
Vida pessoal
Janones e Leandra Guedes (Avante) mantiveram um relacionamento de 2014 a 2018. Leandra foi chefe de gabinete do deputado na Câmara em 2020, durante o primeiro mandato dele, e no mesmo ano foi eleita prefeita de Ituiutaba, com 46% dos votos válidos; foi reeleita em 2024. Os dois mantinham também uma aliança política, e, segundo o Estadão, Janones destinou à prefeitura 58,4 milhões de reais em emendas parlamentares nos quatro anos anteriores a dezembro de 2023, o equivalente a 76,1% das emendas que indicou no período.
Com base na Lei Maria da Penha, Leandra acionou a Justiça de Minas Gerais contra Janones, acusando-o de chantageá-la com fotos e vídeos íntimos registrados durante a união, que segundo sua defesa foram feitos sem seu consentimento. De acordo com a ação, ele teria enviado uma fotografia íntima dela a um secretário municipal, dito que "iria destruir Leandra" e que aquilo era apenas um "aperitivo", e ameaçado expor outros conteúdos; a intenção, segundo a prefeita, seria influenciar sua gestão. O juiz concedeu medidas protetivas de urgência ao considerar que "a narrativa descortina um possível contexto de violência psicológica e moral", com ameaças que envolviam "exclusivamente sua vida privada". Janones foi proibido de manter contato com a prefeita e seus familiares, de se aproximar dela, de familiares e de testemunhas a menos de 300 metros, de frequentar os mesmos lugares que ela e de divulgar fotografias, vídeos ou qualquer mídia sobre sua intimidade. Segundo o Estadão, a decisão foi concedida em janeiro de 2025; o próprio deputado afirmou que o processo era de dezembro de 2024. O caso tramita em segredo de justiça e veio a público em abril de 2025, revelado pelo Metrópoles.
Em vídeo nas redes sociais em abril de 2025, Janones negou as acusações e disse ter sido vítima de uma armação: "A prefeita não inventou história, ela não mentiu, ela tinha até dezembro elementos que levaram ela a crer que eu teria feito aquilo de que ela me acusou, só que esses elementos não existem mais [...] eu não enviei nenhuma foto, eu não cometi nenhum ato". Criticou ainda a divulgação de um processo protegido por sigilo. Em outubro de 2026, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais não confirmou ao Metrópoles se todas as medidas seguiam em vigor, em razão do segredo de justiça.
Em março de 2026, em relato divulgado nas redes sociais e feito durante um evento da prefeitura, Leandra afirmou, sem citar Janones nominalmente, que não sofrera violência física, "mas emocional, tortura psicológica e violência política". Disse que o parlamentar impusera a escolha de seu vice-prefeito, que a ameaçara numa reunião ("Vou te destruir") e que, após a eleição, enviara a foto íntima ao secretário de Saúde, o que chamou de "pornografia de revanche"; acrescentou que ele dissera que a cidade não teria "nem mais um centavo" de suas emendas. A Itatiaia não obteve resposta do deputado, que em 2025 havia declarado: "Eu não enviei nenhuma foto, eu não cometi nenhum crime". Em outubro de 2026, a medida voltou ao noticiário com o convite feito a Leandra para o debate presidencial da TV Globo, ao qual Janones não compareceu.
Ligações externas
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